Senado em disputa: por que Tereza Cristina pretende conversar até com seu adversário
Vou pedir voto até para o Alcolumbre, diz Tereza Cristina
Senado em disputa: por que Tereza Cristina pretende conversar até com seu adversário. A corrida pela Presidência do Senado Federal ganhou novos contornos após a senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmar que pretende buscar apoio até mesmo do atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que também deve disputar a reeleição. Em declaração à CNN Brasil nesta quarta-feira (4), a parlamentar demonstrou disposição para conversar com diferentes grupos políticos e defender sua candidatura como alternativa para comandar o Senado a partir de 2027. A movimentação ocorre em meio à oficialização do nome de Rogério Marinho (PL-RN) como candidato da oposição, o que amplia a disputa dentro da direita. Nesse cenário, Tereza tenta construir uma candidatura capaz de atrair senadores que não desejam apoiar Marinho, mas também apresentam resistência à continuidade de Alcolumbre. A eleição está marcada para 1º de fevereiro e deverá ser definida por uma série de negociações entre os 81 integrantes da Casa.
Vou pedir voto até para o Alcolumbre: estratégia de Tereza Cristina
Ao comentar sua estratégia, Tereza Cristina afirmou que pretende conversar com todos os senadores, independentemente de suas posições políticas ou alianças partidárias. A declaração sobre pedir o voto de Davi Alcolumbre foi acompanhada de uma justificativa: segundo a parlamentar, ela já havia dito ao atual presidente que considerava importante que uma mulher fosse escolhida como sua sucessora. A fala indica que a senadora não pretende limitar sua campanha aos integrantes da oposição ou aos parlamentares de seu próprio partido. Pelo contrário, sua intenção é buscar apoio em diferentes setores do Senado, inclusive entre aqueles que hoje estão próximos da atual presidência. Para isso, será necessário apresentar uma proposta que consiga dialogar com interesses variados e demonstrar capacidade de articulação. Embora Alcolumbre seja um possível adversário na disputa, Tereza sinaliza que a relação institucional entre os dois não impede uma tentativa de negociação.
A senadora também explicou que pretende aproveitar as próximas semanas para identificar quais parlamentares estão dispostos a conversar e quais poderão apoiar seu projeto. Segundo ela, o momento exige diálogo e uma avaliação realista dos votos disponíveis. Essa etapa é especialmente importante porque a eleição para a Presidência do Senado depende da construção de uma maioria entre os próprios parlamentares. Assim, declarações públicas de apoio não representam necessariamente compromissos definitivos, já que acordos podem ser revistos durante as negociações. Além disso, os senadores costumam considerar fatores como a distribuição de espaços na Mesa Diretora, a participação nas comissões e a relação com o governo federal. Por esse motivo, a campanha de Tereza deverá envolver conversas individuais e articulações partidárias, além da apresentação de seu nome como alternativa para o comando da instituição.
Disputa entre Tereza Cristina, Rogério Marinho e Alcolumbre
A oficialização da candidatura de Rogério Marinho pelo Partido Liberal (PL), também nesta quarta-feira (4), acrescentou um novo elemento à disputa. Ex-líder da oposição no Senado, o parlamentar do Rio Grande do Norte conta com o apoio de setores que defendem uma mudança no comando da Casa e desejam fortalecer a presença da oposição na direção do Legislativo. Ao mesmo tempo, Davi Alcolumbre trabalha para conquistar um novo mandato e possui a vantagem política de já ocupar a Presidência do Senado. Tereza Cristina, por sua vez, tenta se posicionar entre esses dois projetos, apresentando-se como uma opção com capacidade de diálogo mais ampla. A existência de três nomes ligados a diferentes estratégias torna a eleição mais complexa, pois os votos poderão ser distribuídos entre candidatos que disputam o apoio de grupos parcialmente semelhantes.
Como a divisão de votos pode mudar o resultado
Tereza Cristina também comentou como enxerga a distribuição dos votos caso um dos candidatos decida deixar a disputa. Na avaliação dela, parte dos senadores que hoje demonstram apoio a Rogério Marinho poderia migrar para sua candidatura se o parlamentar do PL desistisse. Entretanto, a senadora não acredita que o movimento contrário aconteceria de maneira automática. Caso ela própria não concorra, seus apoiadores poderiam escolher entre Marinho e Alcolumbre, sem necessariamente se concentrar em um único nome. Essa avaliação revela uma preocupação com a transferência de votos e com a capacidade de cada candidatura de manter sua base política. Na prática, o apoio declarado a um candidato não garante que o mesmo grupo acompanhará uma eventual decisão de retirada. Por isso, a contabilidade mencionada por Tereza deverá ser feita ao longo das negociações, considerando a disposição real dos parlamentares.
Tereza Cristina busca espaço como terceira via no Senado
Aliados da senadora avaliam que ela pode ocupar uma posição intermediária entre Alcolumbre, que conta com apoio de setores governistas, e Marinho, identificado com a oposição. Essa estratégia é apresentada como uma tentativa de atrair parlamentares que não se sentem representados por nenhuma das duas candidaturas. De acordo com defensores de seu projeto, Tereza possui trânsito entre diferentes correntes políticas e mantém relações com integrantes do Centrão, grupo que reúne partidos de perfil heterogêneo e costuma ter peso nas negociações do Congresso. A aposta é que essa capacidade de diálogo facilite a construção de uma base mais diversificada. Entretanto, para transformar essa vantagem em votos, a senadora precisará demonstrar que consegue reunir compromissos concretos e oferecer condições políticas para que diferentes partidos participem da futura administração do Senado.
A disputa pela Presidência da Casa tem importância que vai além da escolha de quem conduzirá as sessões plenárias. O presidente do Senado exerce papel central na organização dos trabalhos legislativos, participa da definição das pautas de votação e representa institucionalmente a Casa nas relações com o Executivo, a Câmara dos Deputados e o Judiciário. Além disso, a composição da Mesa Diretora influencia a distribuição de funções administrativas e políticas entre os senadores. Por essa razão, a eleição costuma ser acompanhada por negociações que envolvem lideranças partidárias, governo e oposição. Tereza Cristina pretende aproveitar esse cenário para ampliar sua base e defender a possibilidade de uma mulher assumir o comando do Senado. Até 1º de fevereiro, novas conversas deverão indicar se ela conseguirá consolidar sua candidatura, se haverá uma composição com Rogério Marinho ou se Alcolumbre manterá apoio suficiente para conquistar a reeleição. Por enquanto, a disputa permanece aberta, e a principal incógnita é qual dos projetos conseguirá transformar articulação política em votos efetivos.