Voto de Flávio Bolsonaro pode ser anulado? Alcolumbre decide analisar pedido
Alcolumbre diz que vai avaliar pedido para anular voto remoto de Flávio
Voto de Flávio Bolsonaro pode ser anulado? Alcolumbre decide analisar pedido. O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou que encaminhará para avaliação técnica e jurídica o pedido de anulação do voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A solicitação foi apresentada pelo senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso Nacional, depois que Flávio participou de uma sessão legislativa diretamente dos Estados Unidos. O episódio ocorreu durante as deliberações realizadas na terça-feira (3), quando a proposta foi analisada em dois turnos pelo Senado. A controvérsia envolve as regras para a participação remota de parlamentares que estão fora do Brasil e a obrigação de comunicar oficialmente viagens internacionais à Presidência da Casa. Embora Alcolumbre tenha confirmado que examinará o caso, nenhuma decisão definitiva sobre a validade do voto havia sido anunciada naquele momento.
Por que Randolfe pediu a anulação do voto
O questionamento foi apresentado por Randolfe durante uma sessão no plenário do Senado, em Brasília. O parlamentar solicitou esclarecimentos sobre a situação da viagem de Flávio Bolsonaro e pediu que o registro de seu voto na PEC da Segurança Pública fosse invalidado. Segundo o líder do governo, o senador do PL estava nos Estados Unidos sem ter comunicado previamente sua saída do território nacional à Mesa Diretora. A questão é relevante porque o Regimento Interno do Senado estabelece procedimentos que devem ser observados pelos integrantes da Casa quando se ausentam do país. Além disso, Randolfe argumentou que a participação remota não deveria ser utilizada para contornar essas exigências. Ao apresentar o pedido, ele afirmou que não pretendia impedir o exercício do direito de voto, mas cobrar o cumprimento das normas que disciplinam a atuação dos senadores.
O que diz o regimento do Senado sobre viagens ao exterior
A discussão está relacionada principalmente ao artigo 39 do Regimento Interno do Senado Federal. A norma determina que os parlamentares comuniquem à Presidência da Casa quando forem se ausentar do território nacional, informando também o período previsto para a viagem. Já o artigo 40 trata da autorização do plenário para determinadas missões oficiais que envolvam despesas para o Senado. Essas regras ajudam a organizar o exercício do mandato e permitem que a instituição tenha conhecimento dos afastamentos de seus integrantes. Entretanto, existe uma particularidade no caso de Flávio Bolsonaro: a sessão em que ocorreu a votação foi convocada no formato semipresencial, modalidade que permite a participação remota dos senadores. O próprio Alcolumbre observou esse detalhe ao responder a Randolfe. Portanto, o debate não se limita à existência de uma ferramenta digital de votação, mas envolve a interpretação das regras sobre o uso desse recurso por parlamentares que estão no exterior.
Participação remota e limites do Senado Digital
O uso de sistemas eletrônicos para registrar presença e voto foi ampliado durante a pandemia de Covid-19 e passou a integrar diferentes modalidades de funcionamento do Congresso. No Senado, o formato semipresencial permite que os parlamentares participem de determinadas sessões sem estar fisicamente no plenário, desde que sejam respeitadas as condições estabelecidas para cada deliberação. No entanto, a autorização para votar a distância não significa, necessariamente, que qualquer localidade possa ser utilizada sem outras exigências regimentais. A reportagem da CNN Brasil informou que, segundo o entendimento atribuído à Mesa Diretora, o sistema remoto pode ser utilizado por senadores que estejam no Brasil ou que se encontrem no exterior em missão oficial devidamente autorizada. É justamente a aplicação desse entendimento à situação de Flávio que deverá ser examinada pelos setores técnicos e jurídicos. Assim, será necessário avaliar como as normas se relacionam com a modalidade da sessão e com a comunicação obrigatória de viagens internacionais.
Caso Eduardo Bolsonaro serve de precedente para a análise
A controvérsia também recupera um episódio anterior envolvendo Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio e ex-deputado federal. Em novembro de 2025, Eduardo participou remotamente de uma sessão conjunta do Congresso Nacional enquanto estava nos Estados Unidos. Na ocasião, Davi Alcolumbre determinou que o voto registrado pelo então deputado fosse anulado, após considerar aplicável ao caso uma decisão da Câmara dos Deputados que restringia a participação remota de parlamentares no exterior, salvo em situações autorizadas. A medida foi adotada depois de uma análise das regras internas e de manifestação das áreas responsáveis pela orientação jurídica e administrativa do Legislativo. Antes disso, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), havia estabelecido restrições para que deputados registrassem presença e votassem quando estivessem fora do Brasil, com exceções previstas para missões oficiais. O episódio de Eduardo, portanto, passou a ser citado como referência na discussão atual, embora a situação de Flávio ainda dependa de análise própria.
O que Randolfe e Alcolumbre disseram sobre o episódio
Durante a discussão em plenário, Randolfe fez uma crítica política à participação de Flávio na votação enquanto estava nos Estados Unidos. O senador afirmou que considerava contraditório o parlamentar alegar estar buscando exílio por entender que vive em uma ditadura e, ao mesmo tempo, participar das decisões do Parlamento brasileiro à distância. A declaração foi apresentada como argumento político durante a questão de ordem, mas não substitui a análise regimental que deverá orientar a decisão. Alcolumbre, por sua vez, evitou antecipar qualquer conclusão e afirmou que convocaria os assessores para examinar o caso à luz das normas do Senado e do Congresso Nacional. A postura indica que a Presidência da Casa pretende avaliar os aspectos formais antes de decidir se o voto poderá ser mantido ou se deverá ser anulado. Dessa maneira, o pedido de Randolfe ainda não representa uma punição ou uma decisão definitiva contra o senador do PL.
O que pode acontecer com o voto de Flávio Bolsonaro
A partir da análise técnica e jurídica, Davi Alcolumbre deverá definir qual encaminhamento será dado às questões de ordem apresentadas por Randolfe Rodrigues. Entre os pontos que precisam ser esclarecidos estão a comunicação oficial da viagem de Flávio Bolsonaro e a possibilidade de participação remota em uma votação realizada durante sua permanência no exterior. Caso seja reconhecida alguma irregularidade, a Presidência poderá avaliar a aplicação das medidas regimentais cabíveis, considerando também o precedente envolvendo Eduardo Bolsonaro. Por outro lado, a conclusão dependerá da interpretação das normas e das circunstâncias específicas da sessão semipresencial. O episódio chama atenção porque envolve o equilíbrio entre a modernização dos procedimentos legislativos e o cumprimento das regras que organizam o mandato parlamentar. Além disso, a decisão poderá servir de referência para situações futuras envolvendo viagens internacionais e votações a distância. Até que a análise seja concluída, porém, o pedido de anulação permanece pendente, e não se deve tratar o voto de Flávio como definitivamente cancelado.