Eleições de 2026 movimentam R$ 11 bilhões; veja quem recebeu os maiores valores

Gastos com candidaturas ultrapassaram R$ 11 bilhões nas eleições de 2026

Eleições de 2026 movimentam R$ 11 bilhões; veja quem recebeu os maiores valores. As campanhas eleitorais de 2026 movimentaram mais de R$ 11 bilhões em todo o Brasil, revelando a dimensão financeira das disputas por cargos no Executivo e no Legislativo. Segundo dados disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 30 de outubro, as despesas declaradas pelas candidaturas chegaram a R$ 11,03 bilhões. Apesar do valor expressivo, o montante representa uma redução de R$ 2,36 bilhões em comparação com as eleições gerais de 2022. O levantamento considera os gastos de candidatos à Presidência da República, ao Senado Federal, à Câmara dos Deputados e às assembleias legislativas estaduais, além da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Entretanto, os números ainda podem sofrer alterações, uma vez que a prestação de contas segue um calendário próprio e parte das informações pode ser atualizada. Além disso, os dados mostram como o financiamento político está distribuído entre diferentes atividades, desde a divulgação de propostas até a contratação de serviços e a transferência de recursos entre candidatos e partidos.

Gastos com candidaturas em 2026: para onde foi o dinheiro?

A maior parcela das despesas eleitorais foi registrada na categoria de transferências financeiras para outros candidatos e partidos. De acordo com o levantamento, essa modalidade concentrou aproximadamente R$ 5,72 bilhões, o equivalente a cerca de 52% de todo o valor informado. Esse mecanismo permite que uma candidatura repasse parte dos recursos disponíveis para apoiar outros concorrentes ou estruturas partidárias, desde que sejam respeitadas as regras de financiamento e prestação de contas. Na sequência, apareceram os gastos com publicidade em materiais impressos, como panfletos e cartazes, que somaram R$ 976 milhões. Também foram registrados R$ 795 milhões em serviços prestados por terceiros, R$ 662 milhões em atividades de militância e mobilização de rua e R$ 538 milhões em despesas com pessoal. Portanto, a movimentação financeira não se limita à propaganda eleitoral: ela também envolve equipes, logística, articulação política e apoio a outras candidaturas. É importante observar, ainda, que transferências entre campanhas representam circulação de recursos e não necessariamente a contratação direta de um serviço ou a compra de um produto.

Publicidade, mobilização e serviços também pesaram no orçamento

Além das categorias de maior volume, outras despesas tiveram participação relevante no custo das campanhas. O impulsionamento de conteúdos na internet, por exemplo, movimentou R$ 488 milhões, enquanto os serviços advocatícios somaram R$ 302 milhões. Já a publicidade por adesivos alcançou R$ 289 milhões, e a produção de programas de rádio, televisão e vídeos foi responsável por outros R$ 282 milhões. Também foram registrados gastos com cessão ou locação de veículos, que chegaram a R$ 180 milhões. Esses valores ajudam a demonstrar que uma campanha eleitoral exige uma estrutura diversificada, na qual a comunicação precisa funcionar em diferentes canais. Enquanto materiais impressos e adesivos ampliam a presença dos candidatos nas ruas, equipes de mobilização organizam atividades presenciais e profissionais especializados cuidam de questões jurídicas, administrativas e de comunicação. Dessa maneira, os recursos são distribuídos conforme as estratégias adotadas por cada candidatura, sempre sujeitos às exigências legais e à fiscalização da Justiça Eleitoral.

Redes sociais ganham espaço nos gastos das campanhas eleitorais

A expansão das plataformas digitais modificou a maneira como os candidatos se comunicam com os eleitores e organizam suas estratégias de divulgação. Murilo Borsio Bataglia, professor de Direito da Universidade de Brasília (UnB), avalia que a distribuição dos investimentos eleitorais acompanha as transformações da sociedade conectada. Segundo sua análise, vídeos, publicações patrocinadas, materiais impressos e adesivos cumprem funções diferentes, mas complementares, na tentativa de ampliar a visibilidade das candidaturas. Nesse contexto, a comunicação digital passou a ocupar um espaço que antes era dominado, em maior proporção, por meios tradicionais. Além disso, a produção de conteúdo permite apresentar propostas, divulgar posicionamentos e alcançar públicos específicos por meio de ferramentas de segmentação. Entretanto, o professor ressalta que a modernização das campanhas não elimina as obrigações legais: todos os pagamentos precisam respeitar as regras de financiamento, os limites estabelecidos e os mecanismos de transparência exigidos pelo TSE. Assim, a presença cada vez maior da internet nas eleições também amplia a importância da fiscalização sobre a origem e a destinação dos recursos.

Facebook recebeu centenas de milhões em contratos eleitorais

Entre as empresas que receberam pagamentos relacionados à divulgação digital, o Facebook, plataforma controlada pela Meta, aparece em posição de destaque. Conforme os dados apresentados no levantamento, a empresa recebeu R$ 352 milhões em aproximadamente 28,6 mil contratos firmados durante as eleições de 2026. O valor representa um crescimento de 272% em relação ao pleito de 2022, quando os pagamentos registrados chegaram a R$ 129 milhões, distribuídos em cerca de 19,4 mil contratos. Os repasses estão associados principalmente ao impulsionamento de publicações e conteúdos de campanhas. Para o cientista político Gustavo Ribeiro, mestre pela Universidade Sorbonne, as redes sociais se tornaram ferramentas centrais para a disputa eleitoral, funcionando como uma extensão das atividades realizadas nas ruas. Afinal, a internet permite que mensagens sejam distribuídas rapidamente e alcancem diferentes segmentos do eleitorado. O cenário também foi acompanhado por denúncias envolvendo a Meta e acusações de possível interferência no processo eleitoral em benefício da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). Essas alegações, contudo, devem ser tratadas como acusações e não como fatos comprovados apenas pela existência de questionamentos públicos.

De onde vieram os recursos utilizados pelos candidatos?

O financiamento das campanhas teve diferentes origens, com destaque para os recursos públicos distribuídos aos partidos e às candidaturas. Uma das principais fontes é o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido popularmente como fundo eleitoral, que disponibilizou R$ 4,91 bilhões neste pleito. Entre as legendas que receberam os maiores valores estão o PL, com R$ 882 milhões, o PT, com R$ 615 milhões, e o União Brasil, com R$ 526 milhões. A distribuição considera critérios legais, entre eles a representação das siglas no Congresso Nacional. Outra fonte mencionada no levantamento é o Fundo Partidário, que somou R$ 5 bilhões e foi distribuído entre 30 partidos. Também foram registrados R$ 883 milhões em doações de pessoas físicas e R$ 175 milhões em recursos próprios dos candidatos. Além disso, repasses de partidos e de outras candidaturas alcançaram R$ 5,66 bilhões. Esses valores precisam ser interpretados com atenção, pois transferências podem envolver recursos que já tiveram origem em fundos públicos ou doações e, posteriormente, foram repassados a outra campanha. Por isso, as diferentes fontes de financiamento não devem ser simplesmente somadas como se fossem entradas independentes de dinheiro novo.

Por que as campanhas gastaram menos do que em 2022?

A diferença entre os gastos de 2026 e os registrados em 2022 chamou a atenção de especialistas em direito eleitoral. Considerando os números divulgados até 30 de outubro, as despesas deste ano ficaram R$ 2,36 bilhões abaixo do total informado no pleito anterior. Para Mariana Steinmetz, advogada especialista em direito eleitoral, uma das explicações possíveis está no fato de que 21 estados definiram a disputa pelo governo estadual já no primeiro turno. Com menos disputas estaduais levadas à segunda etapa, parte das campanhas evitou os custos adicionais normalmente associados a uma nova rodada de votação. Entretanto, a redução ainda precisa ser analisada considerando o calendário de prestação de contas. As despesas do primeiro turno tinham prazo de declaração até 3 de novembro, enquanto os gastos referentes ao segundo turno podem ser informados até 14 de novembro. Portanto, os dados consolidados podem mudar à medida que novas informações forem processadas pela Justiça Eleitoral. Além disso, diferenças entre estratégias, número de candidaturas competitivas e distribuição dos recursos também podem ajudar a explicar a variação entre os dois pleitos.

Fiscalização dos gastos eleitorais será decisiva após a votação

O volume de recursos movimentado nas eleições de 2026 reforça a importância da fiscalização sobre o financiamento político no Brasil. Embora campanhas precisem de dinheiro para divulgar propostas, contratar equipes e organizar atividades, a utilização desses valores deve seguir critérios de legalidade, transparência e prestação de contas. Nesse processo, o TSE e os tribunais regionais eleitorais têm a responsabilidade de receber, analisar e fiscalizar as informações apresentadas pelos partidos e candidatos. Além disso, a ampliação dos investimentos em plataformas digitais cria novos desafios, especialmente em relação à identificação dos pagamentos, à divulgação de conteúdos patrocinados e ao controle das despesas realizadas pela internet. Outro ponto que merece atenção é a circulação de recursos entre candidaturas, já que os repasses precisam ser corretamente registrados para permitir o acompanhamento de sua origem e destinação. Dessa forma, os R$ 11,03 bilhões informados até o fim de outubro representam não apenas o custo de uma disputa política nacional, mas também um retrato das transformações nas estratégias eleitorais. A análise definitiva dependerá da conclusão das prestações de contas e da fiscalização dos órgãos competentes.

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